Terça-feira, Dezembro 06, 2005
Sexta-feira, Dezembro 02, 2005
Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Too many questions
Pergunta: O problema é o seguinte: o que dizer se há oito minutos atrás (tempo que a luz do sol leva para chegar à Terra) o sol acabou e nós não fomos avisados ainda ?
Resposta: só sei que comi o pó que deus amargou, cuspi o sangue, misturado com cuspe, no asfaltoda estrada de Mata-capote, indo lá pras beiras fétidas do campo do vasco. Corri com as mãos entre pedras cheias de limo, e esfreguei o meu peito na lama gelada dos campos de concentração da Bósnia, naufraguei com sete marujos de uma fragata russa perdida no sul do pacífico, onde as ondas chegam a dezenove pés, e avançam a duzentos nós, fui jogado pelo vento numa ilha cheia de leões, mas nunca, nunca perdi a fé e a esperança de um dia poder voltar ao Grand Palais e ver o Yo Yo Ma tocar "La? mein Herzdie Munze sein".
Resposta 2: Foda-se o Sol. Pisei numa bosta braba na rua, fui humilhado pela traição de minha companheira, experimentei a impotência do meu pênis na noite com a mulherque amava, senti fome e frio da trincheira sob fogo inimigo, fui roubado de todos os dinheiros que vilmente deixei de gastar, tive que pagar todos impostos com multa, meu telefone, água e luz foram cortados, fui obrigado a andar de van, meu computador teve vírus, fui preso e torturado por um crime que não cometi, perdi o pouco que ainda tinha no jogo, fiquei devendo a mafiosos, a caneta bic estourou no bolso do meu casaco, e não encontrei papel higiênico no banheiro na cerimônia de entrega do Oscar.
Porém, temos ainda uma outra questão: para saber se é besouro ou não, você tem que ver se o inseto vestiu ou não a carapuça da carapaça. E também tem o seguinte, eu não sou inseto, mas visto a carapaça sem carapuça. Será que virei uma barata, como no conto de Kafka? É a coisa que mais tenho medo aqui no interior da serra do mar. Virar uma barata. Por que não tenho sangue de barata. Me sentiria muito incompleto. A baratização do indivíduo aqui me deixa baratinado.
Resposta: só sei que comi o pó que deus amargou, cuspi o sangue, misturado com cuspe, no asfaltoda estrada de Mata-capote, indo lá pras beiras fétidas do campo do vasco. Corri com as mãos entre pedras cheias de limo, e esfreguei o meu peito na lama gelada dos campos de concentração da Bósnia, naufraguei com sete marujos de uma fragata russa perdida no sul do pacífico, onde as ondas chegam a dezenove pés, e avançam a duzentos nós, fui jogado pelo vento numa ilha cheia de leões, mas nunca, nunca perdi a fé e a esperança de um dia poder voltar ao Grand Palais e ver o Yo Yo Ma tocar "La? mein Herzdie Munze sein".
Resposta 2: Foda-se o Sol. Pisei numa bosta braba na rua, fui humilhado pela traição de minha companheira, experimentei a impotência do meu pênis na noite com a mulherque amava, senti fome e frio da trincheira sob fogo inimigo, fui roubado de todos os dinheiros que vilmente deixei de gastar, tive que pagar todos impostos com multa, meu telefone, água e luz foram cortados, fui obrigado a andar de van, meu computador teve vírus, fui preso e torturado por um crime que não cometi, perdi o pouco que ainda tinha no jogo, fiquei devendo a mafiosos, a caneta bic estourou no bolso do meu casaco, e não encontrei papel higiênico no banheiro na cerimônia de entrega do Oscar.
Porém, temos ainda uma outra questão: para saber se é besouro ou não, você tem que ver se o inseto vestiu ou não a carapuça da carapaça. E também tem o seguinte, eu não sou inseto, mas visto a carapaça sem carapuça. Será que virei uma barata, como no conto de Kafka? É a coisa que mais tenho medo aqui no interior da serra do mar. Virar uma barata. Por que não tenho sangue de barata. Me sentiria muito incompleto. A baratização do indivíduo aqui me deixa baratinado.
Platão
"(...) De qualquer modo, porém, as etimologias apresentadas por Sócrates/Platão nesses exercícios têm grande interesse, inclusive porque iluminam certos conceitos com uma luz às vezes insegura, mas platônica. É o que ocorre com a etimologia de érôs. Através de Sócrates, Platão investiga a etimologia de daimon (de-mônio, gênio), e depois a de érôs. Faz então uma insuspeitada aproximação: entre "amor" e "herói". Mostra que, de fato, todos os heróis são seres híbridos de mortalidade/imortalidade, pois "são nascidos do amor de um deus por uma mortal ou de um mortal por uma deusa" (398d). E acrescenta: "à luz da antiga língua ática, esse nome (herói) revela-se derivado de 'amor' (érôs), ao qual os heróis deveram seu nascimento". Em seguida, esclarece, os heróis "eram sábios, oradores eloqüentes e bons dialetas, sendo hábeis no questionar (érôtan), no falar (eircin) - porque eircin é sinônimo de légéin (dizer)". Finalmente, sendo os heróis oradores e hábeis questionadores, "a raça heróica tornou-se um tipo de retóricas e de sofistas" (398d-e).
A etimologia "inspirada" de Sócrates permite, assim, estabelecer uma subterrânea ligação entre amor e fala. Permite ainda reconhecer a existência de um heroísmo que se revela pela palavra. Mas, no fundo, a raiz desse heroísmo é o amor, pois o herói é, ele mesmo, obra de Eros. Por dentro de "eros" e de "herói" passa o significado de falar, questionar, dizer. Por isso, Logos e Eros são inseparáveis. Por isso, também, é que em todos os seus tipos e níveis o amor é falante, discursante. E justamente o que Platão faz em sua obra é apresentar e hierarquizar os diferentes discursos do amor. Procura, desse modo, traçar o perfil daquele que é, ao mesmo tempo, o grande herói e o grande amante, o amante ideal: Sócrates, que desenvolve através da fala o heróico tema da docência erótica e do erotismo docente e li- bertador. Assim, quando fala sobre o amor - no Lísias, no Banquete, no Fedro - esse discurso tem o amor como objeto, mas subentende-o também no ato mesmo do falar: do falar do perfeito amante. Pois "o perfeito amante (erotikós) é o verdadeiro filósofo."
A etimologia "inspirada" de Sócrates permite, assim, estabelecer uma subterrânea ligação entre amor e fala. Permite ainda reconhecer a existência de um heroísmo que se revela pela palavra. Mas, no fundo, a raiz desse heroísmo é o amor, pois o herói é, ele mesmo, obra de Eros. Por dentro de "eros" e de "herói" passa o significado de falar, questionar, dizer. Por isso, Logos e Eros são inseparáveis. Por isso, também, é que em todos os seus tipos e níveis o amor é falante, discursante. E justamente o que Platão faz em sua obra é apresentar e hierarquizar os diferentes discursos do amor. Procura, desse modo, traçar o perfil daquele que é, ao mesmo tempo, o grande herói e o grande amante, o amante ideal: Sócrates, que desenvolve através da fala o heróico tema da docência erótica e do erotismo docente e li- bertador. Assim, quando fala sobre o amor - no Lísias, no Banquete, no Fedro - esse discurso tem o amor como objeto, mas subentende-o também no ato mesmo do falar: do falar do perfeito amante. Pois "o perfeito amante (erotikós) é o verdadeiro filósofo."
Terça-feira, Novembro 29, 2005
ficar pã
Gabor Fonai explica que pânico é um termo de origem grega. Segundo a mitologia, existia um deus chamado Pã, que aterrorizava as pessoas. Era o deus dos pastores e dos rebanhos. Filho de Hermes e Driope, seu corpo, era metade homem e metade bode. Quando ele nasceu, a própria mãe teve medo e rejeitou o filho. Entregou ao pai que levou o "bebê" para o Olimpo. Pã era dotado de um espírito fálico e sexualidade insaciável. Seu nome significa "O GRANDE TODO". É importante saber que ele não é bom nem mau. Um deus que, apesar de feio, é carregado de energia e vitalidade.
não tenho tudo
"Obcecado pela idéia de que o que possui é imperfeito,
o homem entrega-se por inteiro e pela imaginação
às coisas que não tem e não conhece,
nelas concentrando o seu desejo e sua esperança..."
Montaigne - Ensaios, I, LIII, 1572
o homem entrega-se por inteiro e pela imaginação
às coisas que não tem e não conhece,
nelas concentrando o seu desejo e sua esperança..."
Montaigne - Ensaios, I, LIII, 1572



